1 ano de V. A!

10-dicas-de-presente-de-aniversario-pra-mae

 

Hoje meu blog faz 1 ano. É pouca coisa, eu sei. Ou talvez não. Vocês já pararam pra pensar quanta coisa muda e acontece em 1 ano ?
Quando eu criei esse espaço pensei que passaria horas de todos os meus dias focada nisso aqui. Que escreveria até minhas mãos dizerem ‘chega’ e que no final eu seria uma inspiração para muita gente.

 
O ano novo começou e, sim, eu conseguia postar com uma certa frequência.  Só que aí vieram as aulas, e com elas todos os meus problemas.
Não sei se já falei aqui, mas desde o meio de 2015 não me identifico mais com o curso de Química, porém como sou teimosa resolvi martelar nessa ideia e não sair do curso. Comecei a sofrer a pressão de estar estudando uma coisa q não me agradava mais e minha única saída foram as festas semanais e às vezes quase que diárias. Acho que foi aí que meu ano começou a desandar.
Eu vivia 60% para a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e 40% para as minhas aulas de canto (que aliás,  até hoje é a única parte boa do meu dia), e daí fui me afastando muito daqui.
Muita coisa aconteceu. Eu tentei perder minha virgindade com um menino do meu curso. DUAS vezes. Em diferentes meses, diferentes momentos, mas não deu. Infelizmente e por alguma razão não foi com ele (eu queria muito, mas a gente não pode passar por cima das decisões do nosso corpo né?!). Enfim, no final do período 2016.1 eu acabei perdendo a virgindade com um outro menino que eu já conhecia também (na verdade eu descobri, meses depois, que eu não conhecia não.  Ele era bem ridículo e eu nem sabia).
Nesse meio tempo eu tinha ‘crush’ numa menina (que na época eu achava bem lindinha) e finalmente ficamos na semana anterior às Olimpíadas. Eu queria repetir. Foi aí que trocamos número de telefone e as conversas começaram a fluir. Quando me dei conta eu estava apaixonada. Eu só falava dela, eu só conseguia ficar com ela, mais ninguém… Minha vida era resumida a essa menina e foi aí que eu descobri minha bissexualidade. Foi um momento bem complicado pra mim porque, além d’eu estar me descobrindo, meus amigos e minha irmã (que era a pessoa quem mais me aconselhava amorosamente) não acreditavam em mim. Não acreditavam nos meus sentimentos. Isso doeu por dias. Isso me confundiu por semanas. Foi aí que começaram as crises existenciais.

 
Eu comecei a colocar a tal menina em primeiro plano na minha vida. Era Deus no céu e ela na terra. A dita cuja me deu abertura, me deu carinho, me deu condições pra eu me iludir… Eu,  como boa taurina que se liga muito nesses lances de signo, tomava todos os cuidados para não parecer grudenta, chata e melosa. Eu retribuía os carinhos à medida que ela me dava.
Houve uma má comunicação entre a gente um certo dia e eu me senti mal. Me senti mal porque achei que tinha estragado tudo. Ela viajou (depois eu descobri que ela tinha pegado todo mundo nessa viagem enquanto eu chorava desesperadamente e assistia meu transtorno alimentar se intensificar) e na volta da viagem veio conversar. Veio me dizer que queria sempre o meu bem estar e que gostava muito de mim e do que a gente tinha… Enfim, eu já estava disposta a tentar ser mais pé no chão quando ela veio conversar comigo e foi aí que combinamos o seguinte: continuaríamos ficando com outras pessoas. O PROBLEMA É QUE EU ESTAVA APAIXONADA E NÃO CONSEGUIA FICAR COM NINGUÉM ALÉM DELA (e eu disse isso à ela com todas as letras). Beleza, ela me disse que não ficaria com ninguém na minha frente.
Depois dessa eu refleti e eu conversei com umas amigas e juntas não conseguimos entender qual era a dela. Tive medo, tive inseguranças, e tive a tão famosa crise existencial de novo.
E a partir daí essas crises não me deixaram mais em paz. Eu convivia com elas diariamente. Eu achei que fosse entrar em depressão.  Passei 1 semana fugindo das aulas, eu não queria que as pessoas me vissem porque eu não me achava bonita nem boa o suficiente para estar perto delas. Eu passei 1 dia inteiro dormindo e chorando no quarto. Naquele dia eu só levantei da cama para ir ao banheiro.
Enfim, o tempo foi passando e com isso eu fui tendo que suportar ela dando em cima de meninas heterossexuais na minha frente. Era doloroso. Era MUITO doloroso. Só que com aquela história de coloca-la como prioridade na minha vida eu simplesmente repetia pra mim mesma “você aceitou isso, lide com isso” e aí eu comecei a fingir que não me importava.
Foi difícil,  eu chorava muito, eu tive crises de ansiedade (coisa que eu achei que nunca teria) e minha ótima relação com meus pais quase foi pro espaço (eu chegava em casa nos fins de semana e dormia quase o dia todo, comia pouco e não conversava com ninguém. Minha mãe surtou. Ela gritava comigo, meu pai tava cada vez mais distante e minha irmã só falava que eu precisava esquecer essa garota porque ela me fazia muito mal).
Eu comecei a tomar remédio pra dormir. Eu tomava 2 comprimidos de dramin pra fugir da minha realidade caótica e quando começou a ocupação da minha universidade eu comecei a fumar pra abaixar a minha pressão e dormir ou só relaxar mesmo.
Isso foi em meados de outubro e nessa época eu tinha decidido que ia esquecer essa história toda, mas era muito difícil dar de cara com ela todo dia. Foi mais difícil ainda quando eu percebi que ela tinha começado a pegar outra garota. Eu me senti trocada SIM porque nunca mais houve uma conversa entre nós e ela visivelmente tratava a garota da mesma maneira que me tratava no início de tudo. Fora que ela nem me procurava mais. Chegamos em um nível qu, do meu ponto de vista, eu só servia para quando ela tava carente ou não tinha outra opção, e nesse momento nem pra isso eu servia mais.

 
Eu chorei lá na faculdade mesmo. Eu chorei e uma amiga minha me abraçou,  me aconselhou. Eu dormi e no dia seguinte acordei chorando e determinada a jogar todo o meu sofrimento na cara dela.
Aquele dia me doeu tanto. Todo mundo percebeu que eu estava mal, menos ela (ou percebeu sim e preferiu ignorar – o que eu acho mais provável, mesmo). E então depois do almoço eu iria dar um basta naquilo tudo.

 

Foi então que ela me deu carinho. E eu não consegui fazer nada!
Naquele dia, de noite, eu tive uma crise horrível.  Eu chorei como nunca tinha chorado por alguém.  Eu parecia uma criança desolada e nem conseguia enxergar as coisas direito na rua. Eu estava desesperada e mandei áudio para 3 amigas diferentes dizendo o quão mal eu me sentia por ser tão fraca de não conseguir acabar com esse sofrimento todo.
Com o passar dos dias eu vi que ela não tava nem aí pra mim. Não sei como, mas eu juntei forças para estar nem aí pra ela também. Fiz amizades novas e comecei a me sentir um pouco melhor (ou pelo menos fingir pra mim mesma).
Comecei a fumar maconha para escapar da realidade mais uma vez (nisso eu já tinha largado o cigarro e o dramin) e a tentar ficar com todo mundo que aparecia (pra tentar afirmar alguma coisa pra mim mesma).
Isso já era novembro e eu ainda sofria. Eu ainda chorava, mas com o tempo isso foi diminuindo.
Quando duas amigas minhas (que também passaram pela solidão da mulher negra) revelaram que estavam namorando eu fiquei extremamente feliz, muito mesmo, mas me senti mais sozinha que nunca. Foi aí que chorei duas madrugadas seguidas pela menina que acabou com meu 2016.

 

Agora é a parte que eu tento baixar a guarda: ela não foi 100% ridícula comigo, preciso admitir. Mal ou bem ela me fez sorrir, ela me fez arfar, ela me fez suspirar e ela me fez sentir desejada. Quando eu passei mal de tanto beber, ela foi uma das que mais cuidaram de mim. Talvez essa menina não seja totalmente o demônio,  talvez a gente só tenha se esbarrado em um momento errado e não compatível. E eu não queria ser a rancorosa que só deseja coisas ruins e tal, mas tem sido MUITO DIFÍCIL e eu cansei de achar que a cupa de tudo é minha.
Eu tive que tira-la das minhas redes sociais, eu fujo de conversas e ambientes que ela esteja presente (o que é difícil porque temos muitos amigos em comum) e enfim, acho que não a odeio não.  Talvez eu seja até minimamente grata pela experiência.  Eu aprendi que eu mesma valho mais que tudo em uma relação e que meu bem estar deve vir sempre em um primeiro lugar. Preciso afirmar,  porém, que ela me deixou traumas horríveis. Ela me deixou cicatrizes que não se fecharam até agora e que nem sei como serão fechadas. Ela me deu crises de ansiedade, ela contribuiu com uma crise existencial que me persegue até hoje, ela me deu baixa auto estima e ela me fez desacreditar no amor (de novo).

Desculpem a enxurrada de mágoas mas eu comecei a escrever o texto com o intuito de mostrar como as coisas podem mudar durante um ano e quando vi já estava contando o pior capítulo da minha vida pra vocês.

Além desse tapa na cara eu ainda perdi alguns amigos que se afastaram de mim dizendo que eu estava perdida na vida depois que me mudei pro alojamento da faculdade e entrei pra militância negra e estudantil.

Acho que vocês perceberam como foi difícil chegar até aqui né ?!
Espero que 2017 Seja bom pra todo mundo e espero, também, que quando eu fizer 2 anos de blog as coisas estejam bem mais prósperas para mim e para nós.

Com sincero amor,
Stéphanie.

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