E depois de todo esse sofrimento, eu ainda consigo dizer ‘muito obrigada’

 

Enfim muito obrigada.

Eu achei que nunca iria conseguir dizer isso.

Passei a última semana toda tentando tirar algo bom desse pesadelo porque é sempre isso que eu faço.

Tudo é aprendizagem e experiência então na tentativa de amenizar a dor, eu tento enxergar alguma coisa boa na qual eu possa me apoiar.

 

Muito obrigada

Mas não pelos falsos momentos bonitos

Não pelos incompletos sorrisos

E muito menos pelos irrefutáveis sorrisos

 

Muito obrigada

Mas não pelas crises de ansiedade

Não pelas lágrimas que teimaram em sair

E muito menos pelas horas sem dormir

 

Muito obrigada

Mas não pelo seu comportamento abusivo

Não pela sua posição machista

E muito, muito menos pelo seu caráter racista

 

Muito obrigada

Mas não por ter mentido pra mim

Não por ter insistido em colocar sua ex como pauta das nossas conversas e tentar fazê-la de louca pra mim

E muito menos por fazer eu me sentir tão insuficiente assim

 

Muito obrigada

Mas não por todo terror psicológico

Não por me fazer achar que eu era culpada pelas suas escolhas erradas

E nem por ter assassinado toda minha alegria, todas as minhas risadas

 

Muito obrigada

Mas sim por, de alguma forma, me tornar mais forte

Por me fazer entender que, independente do que aconteça, eu valho mais do que um dia pensei valer

 

Muito obrigada

Por ter me fortalecido enquanto mulher

Por ter me inspirado a ajudar outras mulheres

E por ter me mostrado que eu tenho amigos e pessoas boas capazes de me acolher

 

Muito obrigada

Porque essa desilusão tem me ajudado a  enxergar que eu posso ser e fazer o que eu quiser

Que eu posso sentir e estar onde eu quiser

E viver da maneira que eu bem quiser

 

Muito obrigada pelos sentimentos bons que você fortaleceu em mim.

Isso mostra que, diferente de você, eu ainda sou humana.

E muito obrigada por me mostrar que talvez, lá no fundo e com muito esforço, você consiga ser uma pessoa boa porque eu não quero ter que te odiar.

Já pensou que merda seria se, para superar, a você eu tivesse que me igualar?

Anúncios

24/05/2017

caos

 

Hoje foi dia de revolução. O tempo até abriu. Fez sol e as ruas amanheceram esperando todos os seus manifestantes.

Eu passei o dia tentando ignorar as notícias, mas elas vinham até mim de uma forma que ninguém podia controlar. E como se não bastassem mortos e feridos em um atentado na Inglaterra recentemente, Brasília literalmente pegou fogo deixando no ar todo um caminhão de ansiedade e preocupação.

O número exato eu não sei, mas haviam muitos estudantes lá. Muita gente que, de alguma forma e diferente de mim, não perdeu as esperanças e resolveu se mexer por um governo mais justo. E então, por um momento eu sorri. Sorri porque fiquei feliz em ver que ainda existe gente com força de vontade o suficiente para lutar. E no momento seguinte eu achei que pudesse voltar a ter esperança e força de vontade também (equivocada estava eu).

O dia passou e finalmente eu consegui ignorar as notícias, mas aí veio a noite e a agilidade da rede social em me contar quase tudo que havia acontecido nas últimas horas.

Uma mulher – estudante – negra foi presa.

Por que ?

Estou me perguntando isso há alguns minutos e, embora eu não queira afirmar porque de fato me dói muito, essa estudante foi presa porque era negra. Apenas por isso.

No Brasil – e no mundo inteiro – nós, negros não precisamos fazer muita coisa para sermos detidos, repreendidos e agredidos. A cor da nossa pele fala por si só, e sempre falou. A sociedade ainda não nos aceita, não dá espaço para nossa voz e, pior que isso: a polícia não nos protege. A polícia é opressora, covarde, fria, corrupta e injusta. Eu sei que é. Eu vivi o pânico de correr da polícia militar uma vez para nunca mais!

A corda vai sempre arrebentar para o lado mais fraco e o lado mais fraco é o lado do negro. Da mulher negra! É mais fácil a sociedade deixar que isso aconteça com a gente mesmo, alguém precisa pagar, alguém precisa ser injustiçado para que eles gritem sobre como a polícia é racista. Porque quando eles gritam vale, mas por outro lado quando nós gritamos…

Eu queria que todos os meus irmãos se resguardassem, assim como eu optei por me resguardar – fortemente – também. Nossas vidas importam. Elas valem ouro. Se uma tragédia acontecer, Estado nenhum vai se importar com a dor causada e as oportunidades tiradas.

Lutem, gritem e ergam seus punhos, mas por favor se resguardem.

Por que blogueira negra só pode falar de estética?

 

OI!

To aqui hoje pra indagar vocês e tentar espalhar uma auto reflexão por aí.

Desde que resolvi retomar minhas atividades no blog  e tentar levar isso aqui a sério, comecei a refletir sobre conteúdos abordados, direções que eu iria tomar e inspirações que eu iria ter.

Estou em um processo de redescobrimento dos meus interesses profissionais e estou a ponto de trocar minha faculdade de Química por uma de Letras, afim de trabalhar com produção textual. O blog da Isabela Freitas me chamou muito a atenção, porque foi a partir dele que ela conseguiu publicar 2 livros (seria meu sonho?). Porém eu não posso me espelhar em Isabela Freitas. Nunca poderei ! Isabela é branca, loira, mora em São Paulo. É privilegiada de montão pela sociedade e teve a sorte de uma editora ir atrás dela para publicar seus livros. Talvez isso nunca aconteça comigo e talvez eu não consiga um blog como o dela (já que eu sou negra e ninguém liga para blogueiras negras). Aí eu parei e lembrei que eu preciso me inspirar SEMPRE em mulheres negras.

Conheço uma penca de youtubers negras. Repito: youtubers. E vamos frisar que youtuber e blogueira NÃO é a mesma coisa. Essas youtubers, porém só falam de cabelo e maquiagem. As que possuem um blog também só falam disso e postam look do dia.

O Geledés é um portal negro com vários textos e discussões e que poderia ser levado em conta na minha lista de inspirações para o blog. Porém, por trás do blog geledés existe uma grande equipe e ele tem um caráter informativo (eu acho), não pessoal. Talvez não desse certo usá-lo como inspiração.

Eu estou incomodada e inquieta. Por que que as blogueiras negras só falam de cabelo ? A gente só pode falar disso ? Por que ninguém dá espaço ou credibilidade para as (poucas) blogueiras negras que compartilham contos e crônicas (se é que elas existem), ou até mesmo falam de militância em seu próprio site ?

Parece que a palavra empoderamento virou sinônimo de estética. E isso não é nada legal.

 

Portal Geledés: http://www.geledes.org.br/

Blog da Isabela Freitas: http://www.isabelafreitas.com.br/

Enfim 2017 !

Eu queria vir comemorar e fazer um post bem alegre pra vocês, mas infelizmente não consigo.

Fui passar minha virada do ano em Maricá, no Rio de Janeiro né. Alguma coisa (as minhas crises existenciais) me dizia para eu não ir porque eu não iria me divertir o suficiente. Como boa taurina, persisti na minha teimosia e fui mesmo assim.

Preciso confessar que a “viagem” não foi tão ruim. Nós fomos bastante à praia, assistimos muuuuuuuuitos clipes na televisão (sim, toda vez que estávamos em casa só comíamos e assistíamos diversos clipes na tv mesmo), assistíamos filmes, ríamos… Eu cheguei no dia 30 e vim embora no dia 03. Foram 4 dias bem divertidos se não fosse por um pequeno acontecimento…

Eu já tinha noção que eu poderia me emocionar na virado do dia 31 para o dia 01. O ano passado foi bem pesado pra mim e a chegada de um ano novo me trazia esperança para um recomeço. Foi então que no dia 31, de manhã, aquela menina (do outro post, lembram?) que desgraçou minha vida resolveu me chamar no whatsapp. Eu fiquei extremamente revoltada porque só o nome dela me dá crise de ansiedade. Fiquei tensa o dia todo e mal consegui sorrir. Fomos pra praia e eu dormi na areia porque não conseguia interagir com ninguém. A noite, quando preparávamos a ceia, a internet acabou e isso só aumentou meu estresse  minha ansiedade. Por fim deu meia noite e nós fomos pra praia ver os fogos. Na volta, a internet já havia ressuscitado e eu resolvi abrir meu whatsapp. Ela me mandou mensagem  dizendo que queria conversar comigo quando as aulas voltassem e etc.

EU ODIEI AQUILO.

Veio uma falta de ar e eu comecei a chorar descontroladamente. De repente eu nem sabia mais o que estava sentindo e nem ligava se me vissem chorando. Eu tremi de nervoso e solucei feito criança. Foi mito doloroso e eu a odiei muito forte por ter cabo com meu ano novo. Minha maior esperança de tentar recomeçar a me amar!

Minha irmã, por sorte, apareceu no meio da minha crise e me deu altos conselhos. Ela me ajuda muito me valoriza muito e eu a amo !

Demorou pra eu me recompor. Eu só queria voltar pra casa e ficar com a minha mãe. O ano novo tinha acabado pra mim e eu resolvi que só iria responde-la no dia seguinte. Depois de me acalmar tomei um banho e fui dormir sem falar com ninguém.

No dia seguinte acordei antes de todo mundo e mandei logo altas verdade pra ela. Mandei todo meu sofrimento (ou quase todo) e me senti, finalmente, um pouco mais em paz comigo mesma. Ela respondeu com outra mensagem maior ainda e, eu não sabia que isso ainda era possível, mas ela acertou meu coração com um soco terrível. A pior parte não foi ler que ela tinha se apaixonado muito rápido por outra garota, a pior parte foi ver qu ela não reconhecia totalmente a sua própria culpa. Ela já me fazia mal antes mesmo dessa garota aparecer.

Chorei mais um pouco, mas percebi que não podia ficar sempre caindo no mesmo erro. Tentei ignorar e só falei que não precisávamos conversar mais nada. Ela não respondeu, então eu fui tomar banho e tentar aproveitar o resto da viagem.

Enfim, achei que tava tudo resolvido quando chego em casa e uma amiga minha vem me falar que ela fez um puta textão no facebook. Eu fui ler e eu fiquei eternamente ENOJADA! Como que uma pessoa pode ser escrota com a oura, tentar se desculpar e no minuto seguinte ir pedir biscoito no facebook ? EU NÃO SEI COMO EU FUI ME APAIXONAR POR ESSE TIPO DE PESSOA EGOÍSTA E QUE SÓ PENSA NO PRÓPRIO EGO.

Não sejam assim. AUTORREFLEXÃO É UMA COISA INTERNA E NÃO UMA COISA PARA SE FAZER TEXTÃO NO FACEBOOK.

Eu to mt enjoada até agora com isso tudo, e to detestando essa garota porque ela estragou meu começo de ano. Agora minhas crises existenciais não me largam mesmo e eu to achando que tenho depressão porque quero me isolar do mundo, acordo triste todo dia e não vejo graça nessa vida.

Desculpem a infelicidade do primeiro post de 2017 e não desistam de mim!

Madrugada 30/12/16

Eu não aguento mais!

Eu acabei de ter uma crise e eu não aguento mais!

Crise existencial é uma coisa que me encontrou e gostou de mim, não quer me largar. Eu não posso nem contar quantas já tive e nem lembro como ela se instalou aqui. Não lembro nem se eu permiti. Fato é que eu não aguento mais!

Às vezes elas duram minutos. Às vezes horas e na pior das hipóteses dias e semanas.

Quantas vezes eu não desejei estar doente pra ver se assim eu teria uma desculpa plausível para não encontrar meus (poucos) amigos ? Quantas vezes eu não desejei que Deus me levasse pra perto dele para eu sentir a leveza de “viver” plenamente e sem culpa? Quantas vezes eu não quis que essas crises evaporarassem como fumaça e a antiga eu tivesse forças para reviver ?

Eu sinto que não posso falar com ninguém.  Eu sinto que não há nenhum ser vivo sequer nessa vida que possa me entender. Eu tenho medo de incomodar, eu tenho medo de chorar, eu tenho medo de parecer fraca… Eu tenho medo de viver.

É sufocante.

Primeiro vem o questionamento. Depois a falta de ar e a sensação de sufocamento. Por fim o choro. E é no choro que eu quero respirar e repetir pra mim mesma que tudo vai ficar bem, mas eu não consigo; porque sei que não vai.

Quando eu menos esperar essa crise vai passar. Eu sei que vai. Ela vai passar mas ela vai voltar. E antes que isso aconteça eu já sei como vou me sentir, e… Oh! Deus, eu só não queria existir.

1 ano de V. A!

10-dicas-de-presente-de-aniversario-pra-mae

 

Hoje meu blog faz 1 ano. É pouca coisa, eu sei. Ou talvez não. Vocês já pararam pra pensar quanta coisa muda e acontece em 1 ano ?
Quando eu criei esse espaço pensei que passaria horas de todos os meus dias focada nisso aqui. Que escreveria até minhas mãos dizerem ‘chega’ e que no final eu seria uma inspiração para muita gente.

 
O ano novo começou e, sim, eu conseguia postar com uma certa frequência.  Só que aí vieram as aulas, e com elas todos os meus problemas.
Não sei se já falei aqui, mas desde o meio de 2015 não me identifico mais com o curso de Química, porém como sou teimosa resolvi martelar nessa ideia e não sair do curso. Comecei a sofrer a pressão de estar estudando uma coisa q não me agradava mais e minha única saída foram as festas semanais e às vezes quase que diárias. Acho que foi aí que meu ano começou a desandar.
Eu vivia 60% para a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e 40% para as minhas aulas de canto (que aliás,  até hoje é a única parte boa do meu dia), e daí fui me afastando muito daqui.
Muita coisa aconteceu. Eu tentei perder minha virgindade com um menino do meu curso. DUAS vezes. Em diferentes meses, diferentes momentos, mas não deu. Infelizmente e por alguma razão não foi com ele (eu queria muito, mas a gente não pode passar por cima das decisões do nosso corpo né?!). Enfim, no final do período 2016.1 eu acabei perdendo a virgindade com um outro menino que eu já conhecia também (na verdade eu descobri, meses depois, que eu não conhecia não.  Ele era bem ridículo e eu nem sabia).
Nesse meio tempo eu tinha ‘crush’ numa menina (que na época eu achava bem lindinha) e finalmente ficamos na semana anterior às Olimpíadas. Eu queria repetir. Foi aí que trocamos número de telefone e as conversas começaram a fluir. Quando me dei conta eu estava apaixonada. Eu só falava dela, eu só conseguia ficar com ela, mais ninguém… Minha vida era resumida a essa menina e foi aí que eu descobri minha bissexualidade. Foi um momento bem complicado pra mim porque, além d’eu estar me descobrindo, meus amigos e minha irmã (que era a pessoa quem mais me aconselhava amorosamente) não acreditavam em mim. Não acreditavam nos meus sentimentos. Isso doeu por dias. Isso me confundiu por semanas. Foi aí que começaram as crises existenciais.

 
Eu comecei a colocar a tal menina em primeiro plano na minha vida. Era Deus no céu e ela na terra. A dita cuja me deu abertura, me deu carinho, me deu condições pra eu me iludir… Eu,  como boa taurina que se liga muito nesses lances de signo, tomava todos os cuidados para não parecer grudenta, chata e melosa. Eu retribuía os carinhos à medida que ela me dava.
Houve uma má comunicação entre a gente um certo dia e eu me senti mal. Me senti mal porque achei que tinha estragado tudo. Ela viajou (depois eu descobri que ela tinha pegado todo mundo nessa viagem enquanto eu chorava desesperadamente e assistia meu transtorno alimentar se intensificar) e na volta da viagem veio conversar. Veio me dizer que queria sempre o meu bem estar e que gostava muito de mim e do que a gente tinha… Enfim, eu já estava disposta a tentar ser mais pé no chão quando ela veio conversar comigo e foi aí que combinamos o seguinte: continuaríamos ficando com outras pessoas. O PROBLEMA É QUE EU ESTAVA APAIXONADA E NÃO CONSEGUIA FICAR COM NINGUÉM ALÉM DELA (e eu disse isso à ela com todas as letras). Beleza, ela me disse que não ficaria com ninguém na minha frente.
Depois dessa eu refleti e eu conversei com umas amigas e juntas não conseguimos entender qual era a dela. Tive medo, tive inseguranças, e tive a tão famosa crise existencial de novo.
E a partir daí essas crises não me deixaram mais em paz. Eu convivia com elas diariamente. Eu achei que fosse entrar em depressão.  Passei 1 semana fugindo das aulas, eu não queria que as pessoas me vissem porque eu não me achava bonita nem boa o suficiente para estar perto delas. Eu passei 1 dia inteiro dormindo e chorando no quarto. Naquele dia eu só levantei da cama para ir ao banheiro.
Enfim, o tempo foi passando e com isso eu fui tendo que suportar ela dando em cima de meninas heterossexuais na minha frente. Era doloroso. Era MUITO doloroso. Só que com aquela história de coloca-la como prioridade na minha vida eu simplesmente repetia pra mim mesma “você aceitou isso, lide com isso” e aí eu comecei a fingir que não me importava.
Foi difícil,  eu chorava muito, eu tive crises de ansiedade (coisa que eu achei que nunca teria) e minha ótima relação com meus pais quase foi pro espaço (eu chegava em casa nos fins de semana e dormia quase o dia todo, comia pouco e não conversava com ninguém. Minha mãe surtou. Ela gritava comigo, meu pai tava cada vez mais distante e minha irmã só falava que eu precisava esquecer essa garota porque ela me fazia muito mal).
Eu comecei a tomar remédio pra dormir. Eu tomava 2 comprimidos de dramin pra fugir da minha realidade caótica e quando começou a ocupação da minha universidade eu comecei a fumar pra abaixar a minha pressão e dormir ou só relaxar mesmo.
Isso foi em meados de outubro e nessa época eu tinha decidido que ia esquecer essa história toda, mas era muito difícil dar de cara com ela todo dia. Foi mais difícil ainda quando eu percebi que ela tinha começado a pegar outra garota. Eu me senti trocada SIM porque nunca mais houve uma conversa entre nós e ela visivelmente tratava a garota da mesma maneira que me tratava no início de tudo. Fora que ela nem me procurava mais. Chegamos em um nível qu, do meu ponto de vista, eu só servia para quando ela tava carente ou não tinha outra opção, e nesse momento nem pra isso eu servia mais.

 
Eu chorei lá na faculdade mesmo. Eu chorei e uma amiga minha me abraçou,  me aconselhou. Eu dormi e no dia seguinte acordei chorando e determinada a jogar todo o meu sofrimento na cara dela.
Aquele dia me doeu tanto. Todo mundo percebeu que eu estava mal, menos ela (ou percebeu sim e preferiu ignorar – o que eu acho mais provável, mesmo). E então depois do almoço eu iria dar um basta naquilo tudo.

 

Foi então que ela me deu carinho. E eu não consegui fazer nada!
Naquele dia, de noite, eu tive uma crise horrível.  Eu chorei como nunca tinha chorado por alguém.  Eu parecia uma criança desolada e nem conseguia enxergar as coisas direito na rua. Eu estava desesperada e mandei áudio para 3 amigas diferentes dizendo o quão mal eu me sentia por ser tão fraca de não conseguir acabar com esse sofrimento todo.
Com o passar dos dias eu vi que ela não tava nem aí pra mim. Não sei como, mas eu juntei forças para estar nem aí pra ela também. Fiz amizades novas e comecei a me sentir um pouco melhor (ou pelo menos fingir pra mim mesma).
Comecei a fumar maconha para escapar da realidade mais uma vez (nisso eu já tinha largado o cigarro e o dramin) e a tentar ficar com todo mundo que aparecia (pra tentar afirmar alguma coisa pra mim mesma).
Isso já era novembro e eu ainda sofria. Eu ainda chorava, mas com o tempo isso foi diminuindo.
Quando duas amigas minhas (que também passaram pela solidão da mulher negra) revelaram que estavam namorando eu fiquei extremamente feliz, muito mesmo, mas me senti mais sozinha que nunca. Foi aí que chorei duas madrugadas seguidas pela menina que acabou com meu 2016.

 

Agora é a parte que eu tento baixar a guarda: ela não foi 100% ridícula comigo, preciso admitir. Mal ou bem ela me fez sorrir, ela me fez arfar, ela me fez suspirar e ela me fez sentir desejada. Quando eu passei mal de tanto beber, ela foi uma das que mais cuidaram de mim. Talvez essa menina não seja totalmente o demônio,  talvez a gente só tenha se esbarrado em um momento errado e não compatível. E eu não queria ser a rancorosa que só deseja coisas ruins e tal, mas tem sido MUITO DIFÍCIL e eu cansei de achar que a cupa de tudo é minha.
Eu tive que tira-la das minhas redes sociais, eu fujo de conversas e ambientes que ela esteja presente (o que é difícil porque temos muitos amigos em comum) e enfim, acho que não a odeio não.  Talvez eu seja até minimamente grata pela experiência.  Eu aprendi que eu mesma valho mais que tudo em uma relação e que meu bem estar deve vir sempre em um primeiro lugar. Preciso afirmar,  porém, que ela me deixou traumas horríveis. Ela me deixou cicatrizes que não se fecharam até agora e que nem sei como serão fechadas. Ela me deu crises de ansiedade, ela contribuiu com uma crise existencial que me persegue até hoje, ela me deu baixa auto estima e ela me fez desacreditar no amor (de novo).

Desculpem a enxurrada de mágoas mas eu comecei a escrever o texto com o intuito de mostrar como as coisas podem mudar durante um ano e quando vi já estava contando o pior capítulo da minha vida pra vocês.

Além desse tapa na cara eu ainda perdi alguns amigos que se afastaram de mim dizendo que eu estava perdida na vida depois que me mudei pro alojamento da faculdade e entrei pra militância negra e estudantil.

Acho que vocês perceberam como foi difícil chegar até aqui né ?!
Espero que 2017 Seja bom pra todo mundo e espero, também, que quando eu fizer 2 anos de blog as coisas estejam bem mais prósperas para mim e para nós.

Com sincero amor,
Stéphanie.

Então é Natal e o que você fez ?

melhores-frases-natal-noticias.png

Faltando apenas 5 dias para o natal (visto que escrevo esse texto dia 19/12/2016), me peguei pensando: O que eu fiz desde o início do ano até agora ?

Seria legal listar minhas atividades pra vocês em forma de tópicos, mas me encontttro no período bem sensível da vida. Tudo é muito sentimental e eu preciso de um tempo refletindo sobre a vida e tudo o que acontece comigo.

Dois mil e dezesseis foi um dos piores (se não o pior) anos da  minha vida.

A princípio eu desisti da ideia de mudar de curso na faculdade e continuei sofrendo na Química. Eu conheci pessoas muito legais (os calouros de 2016) e tive minha primeira crise existencial. No ano de 2015 eu resolvi sair da vida “pega geral” e focar na minha existencia, na minha necessidade de ter alguém que cuidasse de mim e fosse meu melor amigo. Eu queria um namorado.

Não tive reciprocidade, fiquei meses sem beijar e comecei a me frustrar. Foi aí que 2016 começou e eu voltei pra toda aquela piranhagem. Eu fiquei com um menino da minha turma que eu nunca pensei que ficaria. E ele foi o primeiro menino a tirar minha virgindade Ele foi o primeiro menino com que eu transei mas infelizmente a penetração não rolava nunca com ele (não sei porque, até hoje).

Fui perder minha virgindade com um carinha gente boa, religioso mas que meses depois eu vi como era preconceituoso. Mais tarde descobri minha bissexualidade. Me apaixonei por uma garota e ficamos por uns dois meses. Ela foi péssima, me fez muito mal e foi aí que começou a minha enxurrada de crises existenciais que, sinceramente eu acho que em algum momento se transformou em depressão.

É Natal e, infelizmente eu não fiz muita coisa.

Praticamente abandonei meu curso; visitei a piscina da faculdade de educação física do meu campus diversas madrugadas (inclusive ralei meu braço tentando descer do muro kkkk); sofri por quem não merecia; participei da ocupação da minha universidade contra a PEC 241/55 e, graças a Deus fiz amigos incríveis.

 

E você, o que você fez até agora ?

Madrugada 11/12/16

large

 

 

Essa madrugada eu chorei. Chorei e senti tanto que quase me faltou o ar.                               Há quase dois meses venho lutando contra essa depressão  (que eu não quero assumir mas sei que está instalada aqui desde setembro) e não sei como me peguei chorando por inúmeras razões.

Dois mil e dezesseis tem sido um ano pesado, principalmente o segundo semestre. Marcado por crises existenciais e desesperos que se assimilaram a crises de ansiedade, eu quebrei minha cara e meu coração.  Na verdade a cara eu quebrei sozinha, o coração foi uma menina (a primeira pela qual eu me apaixonei e me fez descobrir a minha bissexualidade) que fez o péssimo favor de quebrar.
Minha auto estima desapareceu.  Desceu pelo ralo, e todas as vezes que eu tentava recupera-la, ela descia junto com a água do chuveiro na hora do banho.
Entrei em um buraco e embora minha irmã me ajudasse, alguns amigos ajudassem, demorou para eu sair de lá. Quando finalmente voltei a sorrir, me peguei chorando, e ao som de músicas tristes, a refletir.
Além dessa bad toda, eu lembrei de uma amiga que eu tive no ensino fundamental. Lembrei de como, junto a outra amiga, éramos unidas e verdadeiras uma com a outra. Lembrei também que costumávamos achar que aquela irmandade duraria para sempre, até que chegou o ensino médio e nós não fomos pra frente.
Chorei porque senti falta disso. Chorei porque não estive presente quando uma delas mais precisou. Chorei porque me acho uma péssima pessoa e venho achando isso desde agosto.
Parece que nao me encaixo nada e não sou boa o suficiente para as minhas amizades, relacionamentos amorosos ou planos profissionais. Parece que não sou interessante e que só sirvo pra dar close nos roles. Parece que, por ser mulher preta eu nasci pré destinada a sofrer e nada além disso.
Eu preciso de ajuda. Eu sei que preciso. Mas eu fui forte o suficiente pra chegar até aqui, e se eu consegui isso quase que sozinha, talvez eu consiga me reerguer por mim mesma.
Mas só talvez.

Loção hidratante tonalizante chocolate ganache – the beauty box

Primeiramente: LIBERDADE PARA RAFAEL BRAGA!

Segundamente: FORA TEMER!

Terceiramente: SE VOCÊ ODEIA PROBLEMATIZAÇÃO E NÃO LIGA PARA AS PAUTAS NEGRAS, SAI DESSE POST!

Semana passada me mandaram a foto desse produto aqui

img_20161205_205529

 

Pois bem. Visto que o grupo para onde mandaram a foto  é de mulheres negras, problematizamos logo de cara.

No vídeo que deixarei no final do post eu falo um pouco sobre o prquê deste produto ser tão problemático. Sei que existem diversas macas que fazem esse tipo de loção e que não e de hoje a comercialização delas, porém como militante negra, preciso usar dos meus artifícios para tentar abrir os olhos de, pelo menos, parte dos consumidores.

O capitalismo e a hipocrisia têm ganhado cada vez mais força. Em uma sociedade onde se visa apenas o lucro e o “bonito” (entre aspas porque a cor negra – ou bronzeada como diz no produto – nunca foi vista como bonita), vale apostar em toda e qualquer forma de produto.

Sei que existem mulheres negras que podem usar este tipo de loção para esconder/disfarçar manchas na pele, mas também sei que este tipo de produto não foi criado para isso.

Dei de cara com um anuncio desse hidratante no instagram e com um monte de mina branca endeusando o produto e marcando as amigas. Não aguentei. Não aguentei mesmo e falei tudo o que pensava. Foi aí que uma mina (branca e loira por sinal) resolveu me atacar com argumentos extremamente insignificantes, mas que valem à pena a exposição.

img_20161205_205532-1

img_20161205_205536-1

 

 

Espero que vocês assistam o vídeo e sejam capaz de refletir sobre o quão pesado esse rolê de tonalizante é para o povo negro.

P.s.: A página da the beauty box apagou todos os meus comentários e os dessa menina racista. Ela falou muita besteira ainda, mas eu só printei essa. Acho que é o suficiente pra notar sua total ignorância. Paz.

Você

 

Eu estou ouvindo I Wish I Could Break Your Heart da Cassadee Pope porque, sei lá, me deu vontade. Mas ao contrário do que diz a música, eu não queria partir seu coração e muito menos fazer você chorar.
Eu sei que não conseguiria eu não so capaz o suficiente. Sei também que você, mais que eu, nunca faria. O seu medo sempre foi me machucar.
Mas amigo, acredite, você nunca me machucaria. Mesmo que acontecesse eu não permitiria.
Neste fim de tarde, a única coisa que eu queria era sentir os seus lábios, mas não como eu já senti antes. Queria senti-los como se não houvesse hora para parar, como se não precisássemos nos preocupar com quem vai chegar.
Bem aqui, na minha cama, ouvindo a chuva e os trovões lá fora. quando nos faltasse ar eu ficaria, de novo, recostada em seu peito, tentando recuperar os sentidos e sentindo as costas de sua mão passeando pela minha pele.
Respirações pesadas; suas mãos me acariciando de maneira íntima; sua língua me fazendo soltar gemidos que eu jamais imaginei soltar com você…
Acontecendo ou não entre a gente, você continuará sendo você: Meu melhor amigo !